Serviço de Oncologia do Cão de Ló regista aumento de casos referenciados

sexta-feira, 10 de abril de 2026

A oncologia tem vindo a ganhar um papel cada vez mais relevante na medicina veterinária, como resultado da evolução dos meios de diagnóstico, das opções terapêuticas e dos efeitos comprovados na melhoria do estado de saúde dos animais e aumento da sua longevidade. 

Quimioterapia HV Cão de Ló

Nesta entrevista, conversámos com a Dr.ª Inês Frazão, médica veterinária responsável pelo serviço de oncologia do Hospital Veterinário Cão de Ló nas Caldas da Rainha, que em média acompanha entre seis a sete casos por ano, um número que tem vindo a crescer, devido ao aumento de pacientes referenciados por clínicas da região e pela crescente procura por cuidados especializados.


Com formação sólida em citologia e patologia clínica, a profissional partilha como decorre o acompanhamento dos pacientes, quais os meios complementares de diagnóstico mais utilizados, que opções terapêuticas são propostas e como os tutores reagem às recomendações.


Membro da IVC Evidensia desde 2024, o Hospital Veterinário Cão de Ló é um dos maiores centros de referência veterinária na região Oeste. Fundado em 2017 pela Dr.ª Sofia Almendra, o Cão de Ló desde cedo se diferenciou pela elevada capacidade de resposta a um leque variado de situações, beneficiando de uma vasta oferta de especialidades e serviços veterinários, investimento em tecnologia de ponta e um corpo clínico altamente qualificado. 
 

Em média, quantos casos gere por ano?

No serviço de oncologia, gerimos aproximadamente 6 a 7 casos de oncologia por ano. O número pode variar, e cada vez tenho tido mais casos. Muitos por referência de clínicas na nossa região. 
 

Por quanto tempo acompanha o paciente?

O acompanhamento dos pacientes varia conforme o tipo de neoplasia, estadio da doença e resposta ao tratamento. O tempo de acompanhamento pode ser de meses a anos, especialmente em casos de tumores crónicos ou que requeiram vigilância a longo prazo. Quando o animal é diagnosticado tento fazer um acompanhamento o mais próximo possível, sendo responsável pela administração das medicações, consultas de acompanhamento, questões que os tutores tenham que possam fazer por email.
 

Que meios complementares de diagnóstico utiliza?

Utilizamos uma gama de exames complementares, incluindo radiografias, ultrassonografia, tomografia computadorizada (TC), ressonância magnética (RM), citologia e biópsias, além de outros testes laboratoriais específicos conforme o caso. Eu sou responsável pela realização de citologias internas, uma vez que tenho muita formação nessa área, trabalho no laboratório Urano na parte da patologia clínica e citologia e conheço diretamente os patologistas de anatomia patológica o que me dá uma grande vantagem em termos de disponibilidade e entre ajuda. 
 

Dependendo dos casos, que tratamentos propõe aos tutores?

A terapêutica proposta depende do tipo e estágio do tumor. Os tratamentos podem incluir quimioterapia oral ou sistémica, cirurgia, ou cuidados paliativos, sempre tendo em conta a qualidade de vida do paciente e as opções disponíveis. Neste momento os protocolos CHOP, Doxorrubicina em agente único ou combinado com Ciclofosfamida, Palladia e vinblastina são os que tenho mais utilizado nos nossos casos. Tudo o que não me sinto confortável em planear ofereço também a opção de referenciar. 
 

Existe abertura dos tutores à terapêutica proposta?

Os tutores, em geral, estão bastante recetivos, embora a decisão dependa sempre de muitos fatores, como o prognóstico, os custos e a qualidade de vida do animal. Quando bem explicado e quais as vantagens, maior parte dos tutores quer algum tipo de tratamento.
 

Consegue mencionar algum caso de sucesso?

Fico feliz em poder partilhar alguns casos de sucesso, incluindo o caso do Lord, um animal diagnosticado com Linfoma Multicêntrico B, num outro centro, que foi referenciado para mim. Este caso foi particularmente gratificante, pois conseguimos alcançar uma remissão completa e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente. - Realizou o protocolo CHOP 25 semanas. Entre outros, tenho vários animais a tomar Palladia para mastocitomas e feocromocitomas, com excelente qualidade de vida. E outros que complementaram os protocolos de doxorrubicina para carcinomas (adenocarcinoma da pálpebra de um gato e adenocarcinoma mamário) após a cirurgia, que neste momento estão em remissão.